Neste guia
- Brasileiro precisa de visto para visitar a Irlanda?
- Tipos de visto e autorização para a Irlanda
- Existe working holiday visa Brasil-Irlanda?
- Documentos necessários
- Passo a passo: como aplicar pelo AVATS
- Prazos e taxas em 2026
- Erros comuns na aplicação
- O que fazer depois que o visto for aprovado
- Visto certo primeiro, orçamento depois
- Perguntas frequentes
O visto para a Irlanda é, para a maioria dos brasileiros, mais simples do que parece — mas cheio de detalhes que os grupos de Facebook costumam simplificar demais. Para conhecer Dublin ou os penhascos de Moher por três semanas, você provavelmente nem precisa de visto. Já para estudar inglês, trabalhar com contrato local ou se mudar de vez, a conversa muda. Este guia reúne o que está confirmado nas fontes oficiais irlandesas em agosto de 2026, sem achismo.
Brasileiro precisa de visto para visitar a Irlanda?
Não. Para turismo, visita a familiares, reuniões de negócios ou estadias curtas, o brasileiro está isento de visto, desde que a permanência não ultrapasse 90 dias dentro de um período de 180 dias. A confirmação está na página oficial “Visa requirements for entering Ireland”, do Citizens Information (ligado ao governo irlandês), que lista o Brasil entre os países cujos cidadãos não precisam de visto — lista atualizada em 17 de junho de 2026.
Na prática, isso significa passaporte na mão, sem carimbo prévio, e liberação na imigração de Dublin como qualquer visitante isento. Mas isenção de visto não é isenção de exigências: o oficial ainda pode pedir passaporte válido, comprovante de hospedagem, passagem de volta e evidência de recursos para se sustentar. Essa isenção vale só para 90 dias e só para atividades não remuneradas — se a intenção real é estudar, assumir um emprego ou morar de vez, entrar como turista não resolve.
Tipos de visto e autorização para a Irlanda
A Irlanda organiza a entrada de estrangeiros em dois grupos: visto de curta duração (categoria C, até 90 dias) e de longa duração (categoria D, mais de 90 dias). É na categoria D que ficam as opções de quem vai estudar, trabalhar ou morar no país. O brasileiro, como já vimos, não precisa da categoria C para turismo — ela só entraria em cena em situações pontuais, como um curso muito curto em que a instituição exija visto por algum motivo particular.
Visto/permissão de estudo (Stamp 2 e visto D-Study)
Quem vai estudar por mais de 90 dias — curso de inglês de 25 semanas ou graduação/pós-graduação — precisa se enquadrar nas regras de permissão de estudo, mesmo isento de visto de turismo. O Citizens Information é claro: todo estudante não pertencente ao EEE, “incluindo os que não precisam de visto”, deve se registrar na imigração para ficar mais de 90 dias.
Requisitos centrais: curso listado na Interim List of Eligible Programmes (ILEP); prova de recursos (cerca de €833/mês para cursos de 6 a 8 meses, ou €10.000 para um ano); seguro saúde válido; e, desde 30 de junho de 2025, pagamento de ao menos €6.000 da mensalidade antes do visto. Um curso de inglês de 25 semanas gera Stamp 2 de 8 meses, renovável em até três cursos (máximo 2 anos).
Permissão de trabalho (Employment Permit)
A Irlanda não emite “visto de trabalho” avulso: é o empregador que solicita o Employment Permit em nome do candidato. Os dois tipos mais comuns são o General Employment Permit, que cobre a maioria das ocupações com piso salarial de €36.505/ano (desde 1º de março de 2026), e o Critical Skills Employment Permit, voltado a profissões com escassez de mão de obra (TI, engenharia), com salário mínimo de €40.904 com diploma relacionado ou €68.911 sem diploma correspondente.
Em ambos, a taxa é de €1.000, geralmente paga pelo empregador. Depois de aprovado, solicita-se o visto de entrada (se exigido) e, ao chegar, o registro de residência.
Stamp 1G — permissão pós-estudo
Quem se forma em curso superior (nível 8 do NFQ ou acima) pode pedir o Third Level Graduate Scheme: Stamp 1G de 12 meses (graduação) ou até 24 meses (mestrado/doutorado), com trabalho integral enquanto busca um Employment Permit definitivo.
Existe working holiday visa Brasil-Irlanda?
Não. Na página oficial da Immigration Service Delivery sobre “Working holidays in Ireland”, o Brasil não consta entre os países com acordo de working holiday authorisation. A lista inclui Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Nova Zelândia e Taiwan — o Brasil está fora, o que gera confusão já que a Irlanda tem acordo com vizinhos como Argentina e Chile.
Se seu objetivo é viajar trabalhando por um ano com esse tipo de programa, vale conferir nosso panorama de países que oferecem working holiday visa para brasileiros — o caminho realista para a Irlanda passa por visto de estudo com trabalho parcial (20h/semana) ou um Employment Permit de verdade.
Documentos necessários
Os documentos variam por tipo de visto, mas a base é parecida:
- Passaporte válido (idealmente 6 meses além da estadia);
- Formulário preenchido no AVATS e fotos no padrão exigido;
- Carta de motivo da viagem;
- Comprovante de recursos e, se aplicável, carta de patrocinador;
- Comprovante de hospedagem e reserva de passagem;
- Seguro saúde com cobertura mínima (estudantes: €25.000 para acidentes e €25.000 para doenças);
- Estudo: carta de aceite da instituição (ILEP) e comprovante de pagamento da mensalidade;
- Trabalho: cópia do Employment Permit aprovado e contrato;
- Traduções juramentadas do que não estiver em inglês.
Para uma mudança mais longa, vale revisar nosso guia de documentos para viajar ao exterior, que cobre pontos que costumam passar batido (CNH internacional, certidões, vacinação).
Passo a passo: como aplicar pelo AVATS
Todo visto irlandês de longa duração é solicitado pelo AVATS (Irish Naturalisation and Immigration Service), em visas.inis.gov.ie/AVATS:
- Crie conta e responda ao questionário de triagem, que indica o visto certo para seu caso.
- Preencha o formulário com dados pessoais, histórico de viagens e detalhes da estadia.
- Imprima o resumo com o código de referência e reúna a documentação física exigida (lista personalizada no fim do formulário).
- Envie tudo ao posto responsável — para residentes no Brasil, costuma ser o Consulado-Geral da Irlanda em São Paulo; confirme o endereço atual antes de despachar.
- Pague a taxa (valores na seção seguinte) e acompanhe o status pelo AVATS.
- Retire o passaporte com o visto (ou a carta de decisão).
Detalhe que confunde: quem não precisa de visto mas fica mais de 90 dias por outro motivo normalmente ainda faz o registro presencial de residência dentro da Irlanda. Pular essa etapa é um engano caro.
Prazos e taxas do visto para a Irlanda em 2026
O prazo padrão informado pelo governo irlandês é de 6 a 8 semanas, variando conforme o posto consular e a época do ano. Aplique com boa margem antes do embarque.
As taxas oficiais de visto (categorias C e D), segundo o Citizens Information: entrada única, €60 (até 90 dias); múltiplas entradas, €100 (até 5 anos); trânsito, €25.
Quem fica mais de 90 dias também paga a taxa de registro de residência (IRP), atualmente €300 por pessoa, cobrada no primeiro registro e em cada renovação. Some a taxa de €1.000 do Employment Permit e o custo do seguro obrigatório, e o “visto simples” já não parece tão barato.
| Tipo | Finalidade | Duração | Documentos principais | Taxa aproximada |
|---|---|---|---|---|
| Isenção de visto (turismo) | Turismo, visita, negócios curtos | Até 90 dias | Passaporte válido, hospedagem, passagem de volta | Sem taxa (isento) |
| Stamp 2 / D-Study | Curso de inglês ou curso superior | 8 meses a vários anos | Carta de aceite (ILEP), comprovante financeiro, seguro saúde | €60–€100 (visto, se exigido) + €300 (registro) |
| General Employment Permit | Trabalho com contrato local | Até 2 anos, renovável | Oferta de emprego, contrato, permit aprovado | €1.000 (permit) + €300 (registro) |
| Critical Skills Employment Permit | Profissões qualificadas em falta no país | 2 anos, com caminho para residência | Diploma, contrato com salário mínimo exigido | €1.000 (permit) + €300 (registro) |
| Stamp 1G (pós-estudo) | Buscar emprego após formatura | 12 a 24 meses | Diploma irlandês nível 8+, registro ativo | €300 (registro/renovação) |
| Working Holiday | — | Não disponível para brasileiros | — | Não aplicável |
Erros comuns na aplicação
- Confundir isenção de visto com isenção de registro. A pessoa entra como turista e só descobre meses depois que precisava ter se registrado desde o início.
- Escolher curso fora da lista ILEP. Se a escola não está na Interim List of Eligible Programmes, a permissão não é concedida — confirme antes de pagar a matrícula.
- Comprovante financeiro “fraco”. Depósito único de última hora, sem histórico anterior, gera dúvida sobre a origem do dinheiro.
- Seguro abaixo da cobertura mínima. Apólices genéricas às vezes não cobrem os €25.000 exigidos, e o pedido pode ser recusado só por isso.
- Não pagar a mensalidade mínima antes do visto, exigência vigente desde meados de 2025, ou enviar documentos sem tradução juramentada — ambos atrasam semanas o processo.
- Comprar passagem antes da aprovação do visto D. Passagens não reembolsáveis viram prejuízo se o visto atrasar ou for recusado.
O que fazer depois que o visto for aprovado
Visto aprovado não é ponto final. Quem fica mais de 90 dias precisa agendar e comparecer ao registro de imigração — desde janeiro de 2025, feito no Burgh Quay Registration Office, em Dublin, independentemente do condado de destino. Nesse dia, você paga €300 e recebe o Irish Residence Permit (IRP), o cartão que comprova sua permissão de estar no país.
Na sequência: abrir conta bancária (ou usar uma conta multimoeda enquanto isso não resolve — veja nosso comparativo da Wise), tirar o PPS Number (o “CPF” irlandês) e, para estudantes, se matricular dentro do prazo da carta de aceite.
Quem entrou com apólice de viagem para cumprir a exigência do visto costuma precisar de cobertura contínua depois, já que planos “de entrada” têm validade limitada. Um comparador como o Seguros Promo ajuda a visualizar opções com cobertura adequada para quem vai estudar ou trabalhar fora por meses.
Visto certo primeiro, orçamento depois
Um ponto que muita gente inverte: decide o orçamento antes de saber qual visto vai realmente conseguir, e só depois descobre que o caminho migratório escolhido muda toda a conta. Faz mais sentido resolver na ordem oposta.
O tipo de visto define o valor que você precisa ter guardado, o trabalho que pode aceitar e as horas semanais permitidas. Um estudante com Stamp 2 tem teto de 20 horas semanais em período letivo, o que limita a renda extra. Já quem chega com Employment Permit tem realidade diferente, porque o piso salarial do permit (€36.505 ou mais) já dá uma referência de padrão de vida.
Por isso, decidir o tipo de visto vem antes de montar a planilha de gastos. Depois de confirmar seu caminho migratório, calcule quanto custa viver lá de fato: aluguel, transporte, alimentação, seguro complementar e reserva para os primeiros meses. Fizemos essa conta no guia de custo de vida na Irlanda em 2026, com valores por cidade e perfil. Leia os dois artigos em sequência: primeiro confirme o visto certo aqui, depois monte o orçamento real nesse outro guia — inverter a ordem é a receita mais comum para descobrir tarde demais que faltou dinheiro, ou que o visto escolhido não permite o trabalho que pagaria as contas.
Perguntas frequentes
Brasileiro precisa de visto para visitar a Irlanda a turismo?
Não. Para estadias de turismo de até 90 dias em 180 dias, o brasileiro está isento de visto, segundo o Citizens Information (governo irlandês). O passaporte precisa estar válido, e é recomendável levar comprovantes de hospedagem, passagem de volta e recursos financeiros.
Existe working holiday visa entre Brasil e Irlanda?
Não existe. A lista oficial de países com acordo de working holiday authorisation com a Irlanda inclui Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Nova Zelândia e Taiwan — o Brasil não está incluído até agosto de 2026.
Quanto tempo demora para aprovar um visto irlandês?
O prazo padrão é de 6 a 8 semanas, variando conforme o consulado responsável e a época do ano. Aplique com antecedência da data de viagem.
Quanto custa o visto de estudo para a Irlanda?
A taxa de visto é de €60 (entrada única) ou €100 (múltiplas entradas). É preciso comprovar cerca de €10.000 para um ano de curso, pagar ao menos €6.000 da mensalidade antes do visto e, ao chegar, pagar €300 pelo registro de residência (IRP).
Posso trabalhar com visto de estudante na Irlanda?
Sim, com Stamp 2: até 20 horas semanais em período letivo e até 40 horas nos recessos (junho a setembro e de 15/12 a 15/1). Quem tem Stamp 2A não tem direito a trabalhar.
Preciso de seguro saúde para conseguir o visto da Irlanda?
Sim. Para vistos de estudo, cobertura mínima de €25.000 para acidentes e €25.000 para doenças. Nas demais categorias, vale ter seguro válido desde a chegada, já que o sistema público não cobre automaticamente quem ainda não está registrado.
O que acontece se eu ficar mais de 90 dias na Irlanda sem a permissão correta?
Você fica em situação irregular, mesmo tendo entrado como turista isento de visto. Isso pode gerar multa, dificuldade em vistos futuros e até deportação — quem fica mais de 90 dias precisa se registrar na imigração local e obter a permissão específica para o seu caso.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a orientação de um despachante/advogado de imigração para o seu caso. Regras, valores e prazos podem mudar sem aviso — confirme sempre no site oficial da Immigration Service Delivery (irishimmigration.ie) antes de decidir.
Última atualização: agosto de 2026
Autoria: Rumo Global
Foto de destaque: Vincent Rivaud (Pexels)
