A lista de documentos para viajar ao exterior parece óbvia até alguém ser barrado no balcão de embarque — e quase nunca é o passaporte que falta. É a autorização do menor sem firma reconhecida, o RG antigo demais para valer no Mercosul, o passaporte com cinco meses de validade num destino que exige seis. Este guia organiza tudo por situação, com as regras conferidas nas fontes oficiais, e separa o que é exigência real do que é lenda de grupo de viagem.
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Neste guia
- Passaporte: a regra dos 6 meses
- RG e CIN: quando dá para viajar sem passaporte
- O que levar, por destino
- Menores de 18: o documento que mais barra embarque
- Vistos e autorizações eletrônicas
- Certificado de vacinação
- Permissão Internacional para Dirigir
- Seguro viagem: onde é obrigatório
- 6 erros que barram gente no aeroporto
- Perguntas frequentes
Passaporte: a regra dos 6 meses
O passaporte brasileiro tem validade de 10 anos para maiores de idade, e prazos menores para crianças e adolescentes. Mas a validade impressa não é o que importa na hora do embarque: o que vale é a regra do país de destino.
A exigência mais comum é ter pelo menos 6 meses de validade a partir da data de entrada. Alguns países pedem 3 meses, outros aceitam validade até o fim da estadia. Na dúvida, trate 6 meses como o padrão — é o que evita surpresa.
Duas consequências práticas que pegam muita gente:
- Se o seu passaporte vence em menos de um ano, renove antes de comprar passagem, não depois.
- Passaporte danificado — molhado, rasgado, com página solta — pode ser recusado mesmo dentro da validade.
O pedido e a renovação são feitos pela Polícia Federal, com agendamento online. Explicamos o passo a passo, a taxa e o prazo em como tirar o passaporte. Se a viagem é urgente e o documento não sai a tempo, existe o passaporte de emergência.
RG e CIN: quando dá para viajar sem passaporte
Brasileiro pode entrar em vários países da América do Sul apenas com o documento de identidade, sem passaporte. Vale para os países do Mercosul e associados: Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.
Só que existem condições, e é aqui que a coisa desanda:
- O documento precisa estar em bom estado de conservação — foto reconhecível, sem plastificação solta, sem rasura. Identidade desbotada é recusada.
- Documento muito antigo pode ser questionado, porque a foto já não corresponde ao portador.
- A CIN (Carteira de Identidade Nacional), com número de CPF, substitui o RG antigo e é aceita da mesma forma.
- CNH não serve para atravessar fronteira internacional, por mais que sirva no Brasil.
Regra prática: se o seu RG tem mais de dez anos ou está gasto, leve o passaporte mesmo indo para a Argentina. O custo de refazer a viagem é maior que o de tirar o documento.
O que levar, por destino
| Destino | Documento de entrada | Autorização prévia | Seguro |
|---|---|---|---|
| Mercosul e associados | RG ou CIN em bom estado (ou passaporte) | Não | Recomendado |
| Europa (Schengen) | Passaporte, 3 a 6 meses de validade | ETIAS, quando entrar em vigor | Obrigatório, mínimo € 30 mil |
| Reino Unido | Passaporte | ETA, já em vigor | Recomendado |
| Estados Unidos | Passaporte | Visto B1/B2, com entrevista | Fortemente recomendado |
| Canadá | Passaporte | eTA ou visto, conforme o caso | Recomendado |
| Japão, Turquia, Emirados | Passaporte | Não, para turismo | Recomendado |
A lista completa por região está em países sem visto para brasileiros.
Menores de 18: o documento que mais barra embarque
Esta é a parte que responde pela maioria dos embarques negados, e vale ler com atenção mesmo que a viagem seja daqui a meses — porque envolve cartório e, em alguns casos, juiz.
A regra: todo brasileiro menor de 18 anos que sai do país sem estar acompanhado dos dois pais ou responsáveis legais precisa de autorização de viagem por escrito. Isso vale tanto para quem viaja sozinho quanto para quem viaja com só um dos pais.
Como funciona na prática:
- A autorização segue o formato padrão do CNJ e é assinada pelos dois pais.
- Vai em duas vias com firma reconhecida em cartório.
- Existe uma alternativa que dispensa o papel: a autorização anotada no próprio passaporte do menor, feita na Polícia Federal. Para quem viaja com frequência, compensa.
- Genitor falecido: apresenta-se a certidão de óbito, original ou cópia autenticada, mais uma cópia simples que fica retida pela PF.
- Genitor ausente, em local desconhecido ou que não concorda: é preciso autorização judicial, pelo Juizado da Infância e da Juventude. Esse caminho leva tempo — comece cedo.
A Polícia Federal, que faz o controle migratório, pode impedir o embarque do menor sem a autorização adequada, mesmo com passaporte válido e visto em dia. Não é uma formalidade negociável no balcão.
Vistos e autorizações eletrônicas
Passaporte na mão não significa entrada liberada. Além do visto tradicional, existe uma camada nova de autorizações eletrônicas, que não são vistos mas também não deixam a entrada livre:
- ETA — Reino Unido: já obrigatória, feita online, vale 2 anos. Detalhes no guia da ETA do Reino Unido.
- eTA — Canadá: disponível apenas para quem tem visto americano válido ou visto canadense nos últimos 10 anos, e só para chegada aérea. Veja a eTA do Canadá.
- ETIAS — Europa: ainda sem data confirmada pela União Europeia. Acompanhe em como entrar na Europa.
- Visto americano: continua exigindo pedido com antecedência e entrevista. Veja o visto americano para brasileiros.
Regra de ouro: todas são feitas nos sites oficiais dos governos. Qualquer site que cobre um valor muito acima do oficial é intermediário e não agiliza nada.
Certificado de vacinação
Alguns países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP), principalmente contra febre amarela, de quem vem do Brasil. A exigência varia por país e às vezes por região de origem do viajante.
Dois detalhes que atrapalham quem deixa para depois: a vacina precisa ter sido aplicada com pelo menos 10 dias de antecedência para valer, e o certificado é emitido pela Anvisa a partir da carteira de vacinação. Não é um documento que se resolve na véspera.
Permissão Internacional para Dirigir
Se você pretende alugar carro, a CNH brasileira sozinha nem sempre basta. A Permissão Internacional para Dirigir (PID) é a tradução oficial da sua habilitação e é exigida ou recomendada em boa parte da Europa e da Ásia.
Ela é emitida pelo Detran do seu estado, tem validade limitada e só vale acompanhada da CNH original — não substitui. Tratamos das exigências por país em aluguel de carro no exterior.
Seguro viagem: onde é obrigatório
Na maior parte do mundo, seguro viagem é recomendação. Na Europa, é documento de entrada: a política de vistos da União Europeia exige apólice com cobertura médica mínima de € 30 mil, válida em todos os países do bloco e por toda a estadia. A imigração pode pedir o comprovante, e sem ele a entrada pode ser negada.
Fora do Schengen, a lógica muda de obrigação para bolso: nos Estados Unidos, uma consulta de emergência custa centenas de dólares e uma internação, milhares. Antes de contratar, vale entender o que cada cobertura significa — explicamos cláusula por cláusula em o que cobre o seguro viagem, com atenção especial à diferença entre limite total e limite por evento.
Como coberturas e preços variam muito entre seguradoras para o mesmo período, compare antes de fechar:
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6 erros que barram gente no aeroporto
- Passaporte com menos de 6 meses de validade. A companhia aérea confere no check-in e nega o embarque.
- Autorização de menor sem firma reconhecida ou fora do modelo do CNJ.
- RG antigo ou danificado para entrar no Mercosul.
- Achar que autorização eletrônica é visto. São coisas diferentes, com prazos diferentes.
- Deixar a vacina para a última hora. O certificado só vale 10 dias depois da aplicação.
- Contar com foto no celular. Documento digital tem regra própria — veja abaixo.
Uma observação sobre documento digital: a versão oficial em aplicativo do governo é aceita em muitas situações dentro do Brasil, mas para atravessar fronteira internacional o padrão continua sendo o documento físico. Foto ou PDF no celular não substitui nada. Leve o original.
Se essa é a sua primeira viagem internacional, vale ler também o guia para iniciantes e o passo a passo de como planejar uma viagem internacional.
Perguntas frequentes
Quais documentos preciso para viajar ao exterior?
No mínimo, passaporte válido — com pelo menos 6 meses a partir da data de entrada, na maioria dos destinos. Some a isso o visto ou autorização eletrônica exigida pelo país, seguro viagem quando obrigatório, certificado de vacinação em alguns destinos e, para menores de 18 anos, a autorização de viagem.
Dá para viajar ao exterior só com o RG?
Sim, para os países do Mercosul e associados: Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador. O documento precisa estar em bom estado de conservação. A CIN também é aceita. CNH não serve para atravessar fronteira internacional.
Menor de idade precisa de autorização para sair do Brasil?
Precisa sempre que não estiver acompanhado dos dois pais ou responsáveis legais — inclusive quando viaja com apenas um deles. A autorização segue o modelo do CNJ, é assinada pelos dois e vai em duas vias com firma reconhecida. Também pode ser anotada no passaporte do menor, na Polícia Federal.
Quanto tempo de validade o passaporte precisa ter?
A exigência mais comum é de 6 meses a partir da data de entrada no país. Alguns destinos pedem 3 meses e outros aceitam validade até o fim da estadia. Trate 6 meses como padrão e confirme a regra específica do seu destino antes de comprar passagem.
Preciso de seguro viagem para entrar na Europa?
Sim. Para o Espaço Schengen, a apólice com cobertura médica mínima de € 30 mil é requisito de entrada, válida em todos os países do bloco e por todo o período da estadia. A imigração pode exigir o comprovante.
O que é a autorização eletrônica e como ela difere do visto?
É um cadastro online prévio, mais barato e rápido que o visto, sem entrevista nem biometria em consulado. É o caso da ETA do Reino Unido, da eTA do Canadá e do futuro ETIAS europeu. Ela autoriza o embarque, mas não garante a entrada, que segue a cargo da imigração.
Documento digital no celular vale para viagem internacional?
Não conte com isso. A versão em aplicativo é aceita em muitas situações dentro do Brasil, mas para atravessar fronteira internacional o padrão continua sendo o documento físico original. Foto ou PDF no celular não substitui.
Disclaimer: exigências documentais mudam sem aviso e variam por país e por perfil do viajante. As regras deste guia foram conferidas nas fontes oficiais brasileiras e europeias em agosto de 2026. Confirme sempre no consulado ou na embaixada do destino antes de viajar. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação oficial. Última atualização: agosto de 2026. Por Rumo Global. Foto de destaque: Nataliya Vaitkevich (Pexels).
